Especialistas ressaltam os impactos emocionais do excesso de demandas e a importância do acompanhamento psicológico para mulheres em situação de esgotamento e isolamento
Milhares de mulheres enfrentam diariamente a chamada maternidade atípica, uma realidade marcada por adaptações constantes, busca por tratamentos especializados e impacto direto na vida pessoal e profissional. Essas mães cuidam de crianças com deficiências, síndromes raras e transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH, além de outras condições que exigem atenção contínua, múltiplas terapias e um acompanhamento rigoroso.
Muitas mães de crianças com demandas especiais acabam deixando suas próprias necessidades de lado diante de consultas, terapias e preocupações constantes com o futuro dos filhos. Essa rotina intensa gera uma sobrecarga que frequentemente se transforma em sentimentos silenciosos de medo, culpa, exaustão e solidão — emoções que, segundo especialistas, ainda recebem pouca atenção social. Por isso, o acolhimento psicológico e o apoio da rede social são essenciais, não apenas para o bem-estar dessas mulheres, mas também para garantir um ambiente emocionalmente mais saudável para toda a família.
Naruana Oliveira Brito Xavier, mãe atípica e psicóloga especialista em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, afirma que a maternidade já é, por si só, uma experiência profundamente transformadora. Segundo ela, quando há um diagnóstico ligado ao neurodesenvolvimento, a uma deficiência ou a condições que exigem cuidados específicos, essa vivência se torna ainda mais intensa, complexa e, muitas vezes, solitária. “Falar sobre mães atípicas é falar sobre mulheres que frequentemente precisam reaprender a existir enquanto tentam cuidar, compreender, proteger e lutar pelos seus filhos. E, ao mesmo tempo, enfrentam seus próprios medos, lutos, culpas e inseguranças diante dessa nova realidade”, detalha.
Naruana conta que sua filha é acompanhada pela equipe multiprofissional da Affect Centro Clínico e Educacional, clínica especializada no acompanhamento de crianças com TEA e outras neurodivergências. E relata que o diagnóstico da filha não chegou apenas como uma informação impactante, mas como uma nova realidade que atravessou sonhos, expectativas, planos e sentimentos. “Foi um verdadeiro divisor de águas, marcando um antes e um depois na vida das famílias. Embora o amor permaneça intenso e incondicional, também surgem dores profundas, confusões, medos em relação ao futuro, sensação de impotência e um cansaço emocional difícil de ser compreendido por quem nunca viveu uma realidade semelhante”, pontua.
Segundo a psicóloga, muitas mães se sentem perdidas no início desse processo e precisam aprender novos termos, compreender tratamentos, buscar profissionais, reorganizar toda a rotina e, além disso, lidar com julgamentos externos. “Mesmo diante de todas essas demandas, a vida continua exigindo funcionamento constante. Frequentemente, essas mulheres se colocam em segundo, terceiro ou até quarto plano, anulando os próprios sentimentos para conseguir sustentar tudo ao seu redor. Por isso é tão importante o acolhimento psicológico, pois descobri, a partir da minha própria realidade, que ele não deve ser visto como algo secundário, mas como uma parte essencial do cuidado desde o início do diagnóstico do filho”, diz.
Naruana acredita que quando uma mãe recebe suporte emocional adequado, ela não está apenas cuidando de si mesma, mas fortalecendo toda a estrutura emocional que sustenta a criança e sua família. “O acompanhamento psicológico auxilia na elaboração do impacto emocional do diagnóstico, na compreensão das emoções sem culpa e no desenvolvimento de recursos emocionais, para enfrentar essa mãe possa superar os desafios diários e construir um caminho mais saudável ao longo desse processo”, acrescenta.
Para Naruana, muitas mães atípicas vivem em estado constante de alerta e enfrentam uma sobrecarga que, na maioria das vezes, passa despercebida por quem está ao redor. “Essa rotina costuma ser marcada por consultas frequentes, terapias, mudanças na dinâmica familiar, preocupações com o desenvolvimento da criança, medo do preconceito e incertezas sobre o futuro. Somado a isso, existe a pressão de precisar demonstrar força o tempo inteiro, mesmo diante do cansaço físico e emocional”, sublinha.
A psicóloga aponta que, com o passar do tempo, essa realidade pode provocar impactos importantes na saúde mental dessas mulheres, trazendo sintomas de ansiedade, esgotamento emocional, sentimentos de solidão e até a perda da própria identidade. “Muitas acabam deixando de cuidar de si para atender exclusivamente às necessidades dos filhos, tornando-se cuidadoras em tempo integral e esquecendo que também precisam de acolhimento e escuta. Nesse contexto, o suporte psicológico é fundamental, pois a terapia oferece um espaço seguro para expressar medos, inseguranças e emoções como tristeza, culpa, raiva e cansaço, além de fortalecer a esperança e a reconstrução emocional”, diz.
A fonoaudióloga Juliana Menezes, diretora técnica da Affect, enfatiza que o acolhimento às mães atípicas na clínica vai além do atendimento clínico ou psicoterapêutico e envolve uma responsabilidade com toda a família. “Essas mulheres precisam ser vistas, ouvidas e compreendidas, com acesso a apoio real, informação acessível, profissionais preparados e ambientes menos julgadores. Muitas convivem com dores silenciosas, como a necessidade constante de explicar o comportamento dos filhos, a culpa imposta socialmente e o medo em relação ao futuro, além do desgaste acumulado ao longo de anos de desafios. Por isso, temos o cuidado de encaminhar também essas mães para o atendimento psicológico quando é necessário”, observa.
A fisioterapeuta Rafaela Campos, diretora multiprofissional da Affect, destaca os resultados alcançados pela equipe de Psicologia da clínica no acompanhamento dessas mulheres diariamente e reconhece o impacto profundo que o suporte psicológico gera em suas vidas. “A maternidade atípica não precisa ser vivida em silêncio, culpa ou isolamento. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de força, cuidado e responsabilidade emocional. É uma maneira de continuar cuidando de si mesma para também conseguir cuidar quem mais ama. Afinal, por trás de toda criança que necessita de suporte, muitas vezes existe uma mãe que também precisa ser vista, escutada e acolhida”, conclui.
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Especialistas ressaltam os impactos emocionais do excesso de demandas e a importância do acompanhamento psicológico para mulheres em situação de esgotamento e isolamento (Divulgação/Affect)
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